Portal da USP Portal da USP Portal da USP

ANTES DA PAUTA

LINHAS PARA PENSAR O ENSINO DO JORNALISMO NO SÉCULO XXI

 

INTRODUÇÃO

Se o jornalismo é instrumento de cidadania, cabe ao profissional da área fazer de seu ofício uma ferramenta em prol do interesse público. Neste contexto de lutas pela defesa dos direitos humanos e da democracia, a dimensão política determina a preparação do jornalista e a torna tão importante.

Vive-se tempos em que a economia global pressupõe uma comunicação volátil, veloz e com forte aparato tecnológico. A troca de informações e de bens simbólicos tem auxiliado na geração de uma riqueza até então sem precedentes para algumas sociedades, mas oprime e exclui populações e comunidades.

Talvez mais do que em qualquer outro momento da história, os cidadãos precisem do jornalismo para perceber e interpretar o cotidiano. Este fato, obviamente, tem implicações para a formação do jornalista.

Havendo formação – acadêmica ou técnica, obrigatória ou não – o que é preciso ensinar? Qual a ênfase: a teoria ou a prática? Como e até que ponto é possível articulá-las em projetos pedagógicos?

Foi em meio aos questionamentos oriundos das atividades como professores e pesquisadores, que surgiu a possibilidade de organizarmos este livro, uma catarse realizada em conjunto com alguns colegas, também cheios de (in) certezas sobre o jornalismo e o ofício de formadores de jornalistas.

ANTES DA PAUTA: LINHAS PARA PENSAR O ENSINO DO JORNALISMO

NO SÉCULO XXI traz um conjunto de oito textos escritos por autores do Brasil e de Portugal. Todos docentes e inquietos em relação à formação dos profissionais de comunicação, empenhados menos em responder questões, mas sobretudo interessados em possibilitar reflexões. Talvez porque a vida em sala de aula nos tenha ensinado que as dúvidas mais pertinentes não são as que geram grandes respostas, mas as que implicam provocações desafiadoras.

Os três textos que abrem o livro abordam o ensino do jornalismo numa perspectiva de práticas pedagógicas. O primeiro texto foi escrito por Enio Moraes Júnior, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP), no Brasil, em parceria com o educador João Formosinho, professor da Universidade do Minho, em Portugal. Equipes educativas: possibilidade interdisciplinar no ensino do jornalismo interpreta e propõe o desafio de trabalhar nessas equipes na formação dos jornalistas.

O segundo texto é um relato expressivo nesse sentido. Tudo ao mesmo tempo agora: o ensino de jornalismo em cenário permanentede mudanças foi escrito pela professora Márcia Marques, da Universidade de Brasília (UnB), no Brasil.

Trata-se de um relato de práticas pedagógicas em que a professora narra os métodos da sua experiência à frente da redação Campus, produção laboratorial compartilhada e co-responsabilizada com alunos de jornalismo.

O terceiro é um ensaio dos professores Dennis de Oliveira e Luciano Victor Barros Maluly, da Universidade de São Paulo, que partem de uma visão politizada do jornalismo e da sua crise para discutir o ensino. A formação necessária do jornalista traz, bem ao estilo alternativo, elementos provocadores para pensar o ensino do jornalismo.

No quarto texto, Miguel Crespo, professor do Centro Protocolar para a Formação Profissional de Jornalistas (Cenjor), em Portugal, traça um painel da formação fora do âmbito dos cursos superiores, ocorrência pouco comum no Brasil, mas recorrente em Portugal. Prática e teoria: equilíbrio obrigatório para uma boa formação profissional constitui uma possibilidade para conhecer um pouco dos percursos pedagógicos em cursos técnicos de formação de jornalistas.

A segunda parte do livro apresenta um painel sobre o ensino do jornalismo. No quinto texto, Pedro Coelho, professor da Universidade Nova de Lisboa (UNL), em Portugal, traça um perfil da formação de jornalistas lusitanos. Números e factos do ensino superior de Jornalismo em Portugal: de como o excesso de procura resultou em excesso de ofertaé um texto panorâmico e eficaz para problematizar a variedade e o volume de cursos de jornalismo.

Em Diretrizes Curriculares: novos caminhos para a formação do jornalista, Maria Elisabete Antonioli, professora e coordenadora do curso de Jornalismo da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM-SP), no Brasil, discute a repercussão e as futuras implicações que poderão ter as novas diretrizes nacionais para a formação dos jornalistas brasileiros, apresentadas ao Ministériode Educação em 2009.

A professora e pesquisadora da USP, Nancy Nuyen Ali Ramadan, participa deste painel sobre formação de jornalistas com o texto Brasil e Portugal: problemáticas e orientações no ensino do Jornalismo. A autora articula suas pesquisas para problematizar os desafios das academias brasileira e portuguesa na formação de jornalistas.

O encerramento do livro fica sob responsabilidade de José Coelho Sobrinho, docente da USP, que apresenta uma reflexão fundamental para discutir a formação de jornalistas: de que jornalismo estamos falando? É i sso, segundo o professor e pesquisador, que deve ser pensado antes do ensino em A essência do jornalismo está na apuração.

Dizem que o bom professor não é aquele que aprendeu para ensinar, mas aquele que ensina para aprender. Por isso, embora escrito por docentes, este não é um livro que contenha fórmulas para o ensino do jornalismo, mas é uma possibilidade para trocar experiências. ANTES DA PAUTA: LINHAS PARA PENSAR O ENSINO DO JORNALISMO NO SÉCULO XXI propõe ser um canal de diálogo entre professores, estudantes, educadores e jornalistas interessados qualificar o compromisso do jornalismo com os cidadãos.

Organizadas entre 2010 e 2012, as contribuições são de responsabilidade de seus autores e trazem sonhos e desafios de professores e pesquisadores que, no fundo, acreditam na importância da formação de jornalistas. Este é um trabalho que se realiza antes da pauta.

Enio Moraes Júnior
Luciano Victor Barros Maluly
Dennis de Oliveira
(Organizadores)

Para acessar, clique em:
http://www.eca.usp.br/cje/blog3.php?id=969
ou
http://www3.eca.usp.br/publicacoes