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“CAPOEIRA É PRA HOMEM, MENINO E MULHER”: ANGOLEIRAS ENTRE A COLONIALIDADE E A DESCOLONIZAÇÃO

Paula Juliana Foltran

Resumo


A capoeira angola não é espaço estranho às mulheres. Muito embora, seja comum a qualificarem como sendo “do universo masculino”, ou como propriamente masculina, o fato é que seus lugares de expressão e sua forma de organização sempre contaram com a presença de mulheres, não apenas espectadoras, mas que contribuíram ativamente para a construção e transformação desta prática cultural afro-brasileira e para o estabelecimento de uma tradição. Neste artigo quero discutir, a partir de uma imagem fotográfica da década de 1960, que retrata o famoso Mestre Pastinha (Vicente Ferreira Pastinha), observando duas alunas mulheres em treino, alguns mecanismos de exclusão e silenciamento das mulheres tanto da historiografia sobre a capoeira quanto de suas narrativas tradicionais. Para tanto, compartilho os dados e as informações levantados em pesquisa sobre a imagem, suas personagens e os eventos contextuais para além daquilo revelado no papel filme. A partir da fotografia em questão, muitos representantes mais velhos da capoeira angola narram uma história sobre a grandeza de um mestre e o início de uma nova fase na trajetória desta arte ancestral. O silenciamento das mulheres em luta me fez perguntar sobre quem seriam elas. Para tecer minha argumentação, apoio-me nas seguintes categorias: gênero, colonialidade do poder e descolonização do saber.

Palavras-chave


Capoeira Angola; Gênero; Descolonização do Saber; História das Mulheres.

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DOI: http://dx.doi.org/10.11606/issn.1983-6023.sank.2017.137197

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