Efeito agudo do pré-condicionamento isquêmico no desempenho físico e na frequência cardíaca de jovens futebolistas durante partida de futebol

Authors

  • Eduardo Cardoso Vidigal Federal University of Juiz de Fora. School of Physical Education and Sports, Juiz de Fora, MG, Brazil.
  • Felipe Fernandes da Silva Federal University of Juiz de Fora. School of Physical Education and Sports, Juiz de Fora, MG, Brazil.
  • Aline Aparecida de Souza Ribeiro Federal University of Juiz de Fora. School of Physical Education and Sports, Juiz de Fora, MG, Brazil.
  • Jhonatan Machado Federal University of Juiz de Fora. School of Physical Education and Sports, Juiz de Fora, MG, Brazil.
  • Marcelo Matta Federal University of Juiz de Fora. School of Physical Education and Sports, Juiz de Fora, MG, Brazil.
  • Amanda Fernandes Brown Federal Institute of Sudeste of Minas Gerais, Campus Barbacena, Barbacena MG, Brazil.
  • Jefferson da Silva Novaes Federal University of Rio de Janeiro, School of Physical Education, Rio de Janeiro, RJ, Brazil.
  • Daniel Godoy Martinez Federal University of Juiz de Fora. School of Physical Education and Sports, Juiz de Fora, MG, Brazil.
  • Jeferson Macedo Vianna Federal University of Juiz de Fora. School of Physical Education and Sports, Juiz de Fora, MG, Brazil.

DOI:

https://doi.org/10.11606/issn.1981-4690.2023e37189889

Keywords:

Pré-condicionamento isquêmico, Frequência cardíaca, Futebol, Acelerações, Jovem atleta

Abstract

O pré-condicionamento isquêmico (PCI) é definido como breves períodos de isquemia, intercalados por reperfusão, que antecedem um período de isquemia sustentada. Sendo isquemia definida pela diminuição ou suspensão da irrigação sanguínea em alguma parte do organismo, resultante de uma obstrução arterial. Enquanto reperfusão é o retorno da irrigação sanguínea, como o resultado da desobstrução arterial. Diferente do que acontece na área clínica, em que a aplicação da manobra tem sido amplamente investigada, os estudos que relacionam PCI e desempenho esportivo ainda registram um número reduzido de informações. Embora os dados já conhecidos possam fornecer importantes subsídios à sua utilização no meio esportivo, é necessário ter cautela na interpretação e aplicação de tais conhecimentos, tendo em vista que cada tipo de exercício apresenta suas particularidades, como a via energética utilizada durante a prática, o que pode alterar as respostas de cada indivíduo ao procedimento de PCI. Alguns estudos tem mostrado que o PCI realizado antes do exercício pode afetar de forma positiva o desempenho físico em diversas modalidades esportivas, como ciclismo, natação, e mergulho em apneia. Contudo, outros estudos apontam nenhuma melhora ou até mesmo diminuição no desempenho esportivo, como no basquete e rúgbi. Sendo assim, o objetivo desse estudo foi analisar o efeito agudo do PCI no primeiro tempo de jogo de uma partida de futebol sobre o desempenho físico de jovens futebolistas. Participaram do estudo 10 jovens futebolistas do sexo masculino (idade: 15 anos, índice de massa corpórea: 64,5±5,8 kg, altura: 1,7±0,1 M e IMC: 20,2±1,1 kg/m2)  da categoria sub-15, pertencentes ao projeto de extensão de futebol da Faculdade e Educação Física e Desportos (Faefid) da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), filiados à Federação Mineira de Futebol que treinam 5 vezes por semana, sendo o nível de competição estadual e com jogos aos finais de semana. Os indivíduos foram divididos de forma randomizada com entrada contrabalançada nos seguintes protocolos experimentais, com intervalo de 7 dias entre eles: PCI + Jogo (PCI), SHAM + Jogo (SHAM) e controle + Jogo (CONT). Durante cada um dos protocolos experimentais os 10 atletas foram divididos aleatoriamente em um rodízio da seguinte maneira: a) 4 atletas foram submetidos ao protocolo PCI, 3 atletas foram submetidos ao protocolo SHAM e 3 atletas ao protocolo jogo (CONT), b) 3 atletas foram submetidos ao protocolo PCI, 4 atletas foram submetidos ao protocolo SHAM e 3 atletas ao protocolo jogo (CONT), c) 3 atletas foram submetidos ao protocolo PCI, 3 atletas foram submetidos ao protocolo SHAM e 4 atletas ao protocolo controle jogo (CONT).  A FC mínima nas condições PCI, SHAM e Controle foram (136±13, 136±21, 132 ±14 p>0,05 respectivamente). A FC média nas condições PCI, SHAM e Controle foram (186±22, 176±10, 173±9 p>0,05 respectivamente). A FC máxima nas condições PCI, SHAM e Controle foram (199±8, 201±8, 199±8 p>0,05 respectivamente). O número de acelerações nas condições PCI, SHAM e Controle foram (8±6, 7±3, 5±2 p>0,05 respectivamente). O PCI não melhora o número de acelerações e não modifica a FC mínima, média e máxima de jovens futebolistas no primeiro tempo de uma partida de futebol.

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Published

2023-12-31

Issue

Section

Articles

How to Cite

Vidigal, E. C., Silva, F. F. da, Ribeiro, A. A. de S., Machado, . J., Matta, M., Brown, A. F., Novaes, J. da S., Martinez, D. G., & Vianna, J. M. (2023). Efeito agudo do pré-condicionamento isquêmico no desempenho físico e na frequência cardíaca de jovens futebolistas durante partida de futebol. Brazilian Journal of Physical Education and Sport, 37, e37189889. https://doi.org/10.11606/issn.1981-4690.2023e37189889